Filseira



A filseira é um arbusto que pode chegar a árvore muito usado para fazer sebes, pois suporta bem a poda continuada. Tem florinhas branca em grupo que abrem no começo do verão e deitam bom recendo.

Filseira tem a origem em filso.
Filso é palavra pouco conhecida, dá nome ao linde, ao limite entre propriedades.
Com a expressão "a filso" que significa "na linha mesma".
Filso tem o parente jilso ou xilzo, um arcaísmo que dá nome ao marco de pedra.
A ideia primeira que vem é a de fio, fio como linha, raia. Assim outros nomes do Ligustrum são os de fiaça e o de fiateira, que vão dar no fio.
Mas é um arbusto do que se faz fio?
Outro nome dele pode ir aclarando isto: Tilseira.

Estamos na ideia do primitivo proto-indoeuropeu ter mutação da consoante inicial.
Assim: tils- / dils-/ *zils- / fils- / jils- / xilz- / *silz- / *hilz-

Já no céltico:
No gaélico dílse é uma palavra ubérrima que semelha ter a ver com o jilso.
Dílse: Propriedade, apropriação, posse, direito sobre. Emancipação, liberdade. Confisco. Lealdade, fidelidade. Segurança.

Esta sequencia -ls- ou -lz- poderia ter evolucionado a -lh- no galego.
Assim a apalavra tilha para o montão de terrões da roça poderia ter por aqui a sua raiz; também o silhar.

A tilseria.
Se a filseira nasce do conceito filso, a tilseira teria que nascer do conceito *tilso.
Filso, *tilso, que como par em mutação, coexistiriam?
Aqui aparece a preposição inglesa e germânica til (until).
Til é nome para a Ocotea foetens, laurácea das ilhas atlânticas dos Açores, Madeira e as Canárias.
Til que a etimologia portuguesa faz derivar do francês antigo e occitano til
Til é o nome da tília no francês antigo.
No occitano tilhe, alem da tileira nomeia ao choupo italiano. Outros nomes occitanos são: tilh, telh, tilhòu, tilhul.

Tília, tileira que no galego tem os nomes de tilha, tilheira, tileira...
Tília da que a etimologia grega dá esta origem: πτελέα, (pteléa), que dá nome ao ulmo:
πτελέα que dizem estar à par de penugem, de pena,
πτίλον (ptílos), por serem assim como penas os seus frutos. Também dizer que o nome do porco-bravo em grego clássico anda por aqui:πτέλας (ptélas).
Sob os novos paradigmas:
A tileira foi utilizada para marcar em sebe também os terrenos?
Ou mais bem ao revés, a planta, árvore ou arbusto que marcava o filso / *tilso, o límite apanhou o nome de tilseira ou filseira.
Observemos o nome da tília em inglês, e a dificuldade que a etimologia inglesa tem em buscar um porquê ao tal:
Lime tree e linden tree.
Tanto um como outro a ouvidos e a olhos que leem desde a cultura galega, são: a árvore do limes (do limite), e a árvore do linde.

Voltando ao Ligustrum vulgare:
Outro nome, não dicionariado, que é vivo no Alto-Tambre para ele é aliste.
Na suspeita que a comarca çamorana de Aliste tenha dado nome, por ser uma zona na que o alfaneiro é muito frequente, silvestre...
Mas liste?, lista, faixa?, volta a fazer pensar no limite, sendo como é comarca que raia entre a Espanha e Portugal.
A etimologia germânica referencia list aos significados de tira, borde, beira, faixa...
No inglês atual lists dá nome a uma paliçada.
É pois Aliste, a comarca da beira, do borde, havendo a possibilidade que que tenha sido nalgum tempo "a liste".
É outra vez o ligustrum, é por outro caminho, o arbusto limitador.
Atenda-se a que ligustrum tem a ver com ligare, com legão.

A onde é que se vai?







Mapas da extensão Tilia platypyillos e Tilia cordata.
(Fonte dos mapas: http://www.euforgen.org/distribution-maps/)




Outro arbusto que é empregado para fazer sebes é o mirto, Myrus communis, que tem por nome arraião (arraiám).
O seu nome dizem provir do árabe...
Este é o mapa da sua distribuição:


De BOLÒS, O. & J. VIGO (1984-2001
Colhido da rede:

ARRAYÁN, así se llamaba al ´mirto´.

      El padre Guadix dice que la palabra viene del árabe, pero la raíz es hebrea,  en árabe
   significa ´algo que siempre está verde´.

      Corominas apoya el origen árabe diciendo que viene de la palabra raihân que significa
   ´cualquier planta olorosa´.

       Al mirto lo llamaban raihân en el árabe de Espana y hasta hoy podemos encontrar la palabra
   en el árabe vulgar de varios países.

      En varias fuentes literarias podemos hallar variantes de la voz como arrahan o arraihán
   pronunciándose con la h aspirada. Esta versión, pronunciándose arraiján según Pichardo y
   arraigán según Cuervo, hasta hoy en Cuba.

A ouvidos de um galego arraião, poderia ser um empréstimo do galego medieval ao árabe andaluzi, sendo pois outro arbusto que faz a raia.
Há o arcaísmo arraiaz, o que linda ou limita com outra coisa.
E com isto volta a ideia de ser cousa do rei o assunto da raia.




















































































???????????????????????????????????????????
A força da palavra filso como limite fica oculta pola palavra filgueira, ou felgueira?, que semelham ter a ver com felgos ou figueiras. E não se nega.
Tenha-se em conta que felga, não é apenas fento, fieito ou felgo, felga é o conjunto de mato ervas, fieitos e arbustos, tojos e silvas que estão no limite das propriedades, chagando inclusive a ser felga o mesmo que o molime, louça, valume, estrume ou estro, a cama do gado que se apanha para jazida.

Vão uma série de imagens de lugares com topônimos Felgue- / Filgu-:


O agro da Pena Felgueira fai limite entre Campos e Abeancos, mas talvez já tivesse feito limite, ou filso entre as governas dos castros de ambas as freguesias Abeancos e os Campos. Na possibilidade que no outeiro entre os Campos e Linhares houvesse outro assentamento, polo que a tal Pena Felgueira poderia estar a fazer limite entre três governas.




Felgueiras da Capela, é um lugar que linda já com Goente. (Entre as Pontes e a Capela).
Rego de Filgueira entre Santalha de Argemil e São Pedro de Maside (Sárria).
Outro rego da Filgueira em Novela (Santiso) fazendo linde entre antigas governas, dous castros em Novela e outro em Santo Estevo de Pezovrês?????????

Fieito, felgo.
Felgo é dialetal no padrão português, mas felga tem o significado de:
- terrão desfeito
- raízes de plantas ao descoberto depois da cava de um terreno
- balbúrdio

Outra das palavras que liga o fieito com os valados é feigha: tojos dos valos.



Fieito tem no latim a sua origem: filectum, filix.
Este filix aparentam-no com felix.
Ainda que depois do visto, filix poderia ter parente com filum.
Sendo o sufixo -ix na sua função antiga de genitivo feminino.
Filix é "a da fila" ou "a do filo".
Entenda-se que no galego fica filar, que tem a ver com o cão de fila.
também filar no galego medieval, com os significados de: pegar com força, agarrar, aferrar.
O fieito comum, o Pteridium aquilinum, tem fios dentro.
Este filar tem por par pilhar, verbo com muita força no galego e com diversos significados, mas todos nascido da ideia original de pilha.
Assim as cousas, o fieito como o felgo está falando da terra deboirada em derredor da propriedade do rei.

No céltico das ilhas, o fieito leva o nome de raithnech no antigo gaélico, no galês rhedyn, com o bretão raden.Na raiz do gaélico, esta ráitha que dá nome à muralha de terra circundante da residência de um chefe, um forte.
*ɸratis é a raiz protoéltica pensada para o fieito.
Fratis que vai dar ao irmao, à fracha, à fractura.
Desse lugar da quebra e da roça, do roto, como bro, é escrito aqui.


Quando falamos de fieito estamos falando desde o latim "da da raia". Nas falas célticas o raithnech está nomeando o valo circundante do lugar.
Diz isto logo, que os valados eram o lugar dos fieitos tanto etimológico como onde cresciam, pois do resto a roça, o arado limpava o campo deles.
Roça que era feita por Rei, que derreigava em redor da propriedade, raía /ra.'i.a/, trabalhava na raia.

O verbo raer é roçar, (eu raía, tu raías, ele raía).
Raia, significa roça.
Raeira é o terreno livre pelado de vegetação
Raído é o desobediente.
Isto tem parente no latim rado, com o particípio rasum.
Por isso é o nome do rádio.
E aqui une-se o rado com o rodo.

Interpretação: o sistema neolítico que chegou ao seu colpaso no final do ferro, com a entrada de Roma, tinha uma ordenaçao do território agrário e "político" em reinos, cada reino era uma unidade agrária, que na sua periferia realizava o sistema de roça. Este feito da agricultura determinou a cultura, e determinou a paisagem. A cultura ianda está presente na etimologia, que dá um grande campo de palavras que indo à sua raiz explicam como era uma parte importante da vida no passado, importante no sentido que deixou pegadas na geografia e na fala indo-europeia que assoma ainda hoje.












.




Nenhum comentário:

Postar um comentário