Respeito para a Deusa, Dva

E pois, assim é o mundo, o criado pola nossa mente?
E aceito: a minha cavilação infinita, lavrada por séculos, não compreende a Deusa, pois a Deusa referenciada na sociedade galega, e em geral na sociedade ocidental atual, é apenas a Virgem Maria, e as outras, a da Cona, a da Morte, são vetadas, a primeira como prostituta, só aceitada como choradeira Madalena. E a sua terceira forma, o seu terceiro passo, a Deusa da Morte, também ocultada, pois é mesmo que vivo sem a respeitar, como se ela não existir.
É, pois logo, essa, a minha "folha de rota".
E aí ando:

Ajoelho-me diante delas!


Quando tenho falado de Bandua, tenho visto essa deidade como feminina, enquanto outros esculcadores vem-na como masculina.
Por isso, exponho o seguinte:

Algumas das palavras que acompanham, a Bandua, Bandv ou Bandue levam a desinência em "o", prova do caso ablativo ou dativo da segunda declinação, e não doutra, então, por exemplo: Bandue Cadiego não indica com certeza a masculinidade de Bandua, mais bem fala de Bandua do lugar do Cadiegum ou do Cadiegus, ablativo de lugar, de especificação, e não epíteto de gênero masculino, que se assim for teríamos outra marca, e nenhuma em -o.
Porém: Bandue Aetiobrigo, Bandue Bolecco, Bandue Veigebraego (em Rairiz de Veiga), Bandue Verubrico aparecida ara em Vilaza, a cinco quilômetros de Verim, não é mais que Bandua do Verubrico, e não "o Bandua verúbrico", é pois divindade de Verubricum / Verubricus, ou dos moradores do Veru-brico, da briga de Vere, da que o Verim atual herdeiro) .... Todos estes, e mais, não indicam o gênero masculino de Bandua e sim a sua localização ou circunstância:

E digo mais, os tais chamados "epítetos masculinos" de Bandua estão trucados, pois há documentação abundante na rede onde a forma verdadeira Veigebraeg-o aparece como Veigebraeg-us, e evidentemente é mui, mui importante esta confusão, esta maquilhagem da verdade, onde Aetobrigo é mudado em Aetobrigus, Roudeaeco (Bandua da Roda?), em Roudeaecus ...., para fazer quadrar.

A relação de Bandua e Marte:
Deo Vexilor[um] martis socio Banduae, é a inscrição controvertida, onde se interpreta a união de duas divindades masculinas, mas socio também não indica o gênero de Banduae. É pois significativo que Bandu-a mude em Bandu-ae, isto faz pensar em ser da primeira declinação, primeira declinação que geralmente é maioritária em palavras femininas, (ou em masculinos de tema em -a, os mínimos e excepções). O que não dá por fechada cento por cento a questão do gênero de Bandua.

Se alguém quiger ir mais alô, Marte de ser sócio de alguém, é-o de Vénus, a do vazio, a que vem, a da vieira, a da concha, a do búzio, a do corno.
E é nesse simbolismo do encontro dos cornos, que Marte e Vénus copulam pondo cornos.
No corno oco a feminidade está, onde a vagina é bainha, como a cachapa, copo, copelo, codeira, leara da pedra de afiar a gadanha: a Deusa tem o corno oco da abundância.




A relação de Bandua e Apolo:
BANDIAE
APOLO
SEGO. LV
LVPVS. TA
NCINI
F. A. L. V. S.
A ara votiva esta escrita deste jeito, mas transliterada foi como "Bandiae Apolosego", e este Apolosego foi relacionado com outras aras nas que aparece "Apulus  ?eaecus", talvez Apulus seaecus, veja-se aqui, que também foi difundida como Apuluseaecus.

Quê levou a traduzir isto como "Bandua forte na vitória"?
Quê nos diz sego ou seaecus?
Para mim vai relacionada com seguir e segundo, com a raiz de sequor, sĕcus, na ideia de que Apolo foi segundo no parto da ninfa Leto, ajudado no nascer pola sua irmã primeira Ártemis.
Por outra parte a proximidade com seacus, leva a pensar na raiz saeculum, seclum, que dá ideia de equivalência ou da mesma geração.
Interpreto pois que nesta ara, Bandua é equiparável hierarquicamente com Apolo, ou que Apolo pode ser segundo na ordem. Mesmo que Bandua é nome genérico para deusa, neste caso Ártemis (3).

Como então Bandua é Vénus, e à vez Ártemis?

No gaélico atual, Bandia significa deusa, não uma deusa particular do panteão antigo céltico, Bandia é Deusa, a Deusa (4).
No gaélico temos Dia como Deus, o Deus.
A deriva etimológica da palavra Deus está bem estudada, mas a da divindade feminina é controvertida, pois é frequente fazê-la sair do masculino, a semelhança do nascimento ou criação de Eva, duma costela de Adão.

Na hipótese de ser Bandua, a deusa que sai na pátera famosa com o seu nome, há a possibilidade de ser  uma conjunçao de Ban- e -dua, divindade?
Outros esculcadores, argumentam que Bandua  é um guerreiro com cordas que apareceu em Aquis Querquensis, cidade romana, perto do atual Bande, sem inscrição nenhuma.
Isto leva uma inscrição:

Há  Ban- no irlandês, onde grafado de diferentes formas, ban, bhan, ben, significa mulher.
Uma palavra próxima a dua para a divindade, está no gaulês e no cornualhês, onde Duwes é deusa.
Esta velha palavra céltica poderia ter parentes derivadas no inglês atual como dwarf, onde a velha deusa é pejorada, como cativa, pequena, com aparência de trasna, um ser pequeno e enrabechado com poderes mágicos.
Dwale tem muita significância também no inglês junto com o danês dvale "trance, estupor, "dvaelbær" narcótico, baga. Dwale foi nome duma poção mágica feita com beladona, nome da própria beladona e também da Solanum dulcamara. Vem do inglês medieval como dwala (idiota) e dwola (heregia, erro).
Estas dwala, dwola, podem estar próximas ao dialetalismo galego, diola (1), apenas usado em exclamações, semelhante a deus?
Na proximidade de -dua -dva, temos a diva latina e a deva (2) e a daeva do oriente tão próxima a o devil inglês, ao demo.

Então de quem estamos a falar quando falamos de Bandua?, pois possivelmente da mulher-deusa, falada desde as célticas pronúncias....

Mais ainda: o corno.
Ban-dva, no primeiro temos "ban-"
Este conceito "corno" como ban-, é anterior ao de banda como "grupo de guerreiros ou guerreiras"?
Tudo anda por mui perto:
Ban no galês é corno, vaso onde se bebe (de corno), ban hydd som os cornos do cervo.
Indo bem longe, ou perto, a raiz ban- está na palavra sânscrita:  बण्   bhan onomatopeia da respiração e do assobio, além de बण् significar soar, e com derivados como chamar a vozes भण्.
No catalão banya, banyò, banyot, corno.
No occitano: bana.
(https://en.wiktionary.org/wiki/Appendix:Proto-Celtic/band%C4%81).

Então temos um corno que chama, corno que até há pouco era usado na Galiza, na Galiza da montanha. União de corno e montanha que se dá por quase todo o planeta.
O corno, é sinal de que se chamava a concelho, isto é para lavores comunais como reparar caminhos, limpar fontes, tratar assuntos da aldeia, o corno chifrava e as vizinhas e os vizinhos, cabeças de cada casa acudiam ao sopro chamado.
É por isto que a reunião de pessoas está simbolizada polo corno chamador.
E é pois, o corno ban, e o seu chamado ban, o que fai bando e cria a banda.
É então por isso que as divindades protetoras das urbes, das congregações levam um corno, corno da abundância nas deusas Fortunas, ou corno estilizado em vegetal corno, uma cala.
Mas os tempos som mudados e apenas se se tem ouvido e atendido ao corno que chama a concelho ou se se tem visto o velho corno e todo o poder que nele há ..., se pode ter o seu simbolismo integrado.
To ban em inglês foi inicialmente falar em público, com raiz germânica aparentada com o falado sânscrito भाण्   bhan. Daí passou a proclamar, e mais tarde a proibir, do mesmo jeito que no português e francês banir e bannir, pois já o corno não era público e democrático, vinhêrom tempos "góticos" com gentes em bandwas, ávidos de poder que se agrupavam em bandos para melhor atuar, faziam bandeiras e publicavam bandos com interdições para as gentes fora do bando saberem como se tinham que submeter, pois se assim não era, baniam.
Veja-se como no francês bannir  foi inicialmente annoncer, proclamer à son de trompe, à cri public.


Figura de Laussel.

Mas de onde o corno com o feminino?, neste sistema operativo de hegemonia masculina o corno é só visto exteriormente.
No corno uterino é a gestação na maioria dos mamíferos caçados ou criados por nós, em nós mesmos, pois nos nascemos dentro do corno da matriz, a madre é um corno, é por isso que a feminidade tem os cornos interiormente, e são estes os cornos da geração.
O corno oco, onde se gera a vibração que dá a forma.
E pois, mui aclaratório a lenda de Amalteia a cabra que aleitou a Zeus, de onde deriva a lenda do corno da abundância.
A Cornucópia simboliza fundamentalmente a fertilidade e logo dai, apenas com isso o resto vem em abundância e riqueza.
É aqui, no vão, no oco, no invaginado que pode formar-se algo, pois apenas o que esta completamente baleiro é que se pode encher com o tudo, e pois outra vez ban, vam, vão, vanus latino, aqui.
Cesto de aventar latino: vannus, onde o vento e o respirar sânscrito bhan, e o discurso vani voltam, pois vento, palavra e vazio, vão juntos até no bafo.
Vanir é o grupo de divindades nórdicas afrente os Æsir, também conhecido Vanir como Wanes, banda de qualidades femininas afrente o masculino, dous panteões em conflito, os Vanir são as divindades da fertilidade, da terra, enquanto os Æsir são os da guerra.

Essência primária do começo, onde o criado, o servo, é formado, no forno do vácuo.
Um vazio yin?, grande ciclo de voltas, de infinito começo, eterna espiral interior.


É pois Bandua em essência para mim, a metade escura do símbolo do yin-yang, o som interior, a vibração, a dança cósmica do átomo e das suas partes, onde sempre presentes o movimento levíssimo e a infinitude do ínfimo.
Respiro e falo, crio no baleiro do nada, mas, necessito do vibrato do corno?
Toco o corno, fumo o silêncio do vento, e fago a música.

No começo foi a dualidade da partícula-onda.


(1) Diola, hipótese: que nem dios há, que nem diol'a?

Diola no latim: festeira?
Diana+ola?
Estarão por aqui as doulas, as parteiras?
(2) Uma ara do monte Cildá com a inscrição: MATRI DEV ... / L. LICINUIUS. CI ... / VS TEMPLUM / ...OTO L. M., foi interpretada como: Matri deum ou Matri devae. Relaciona-se isto com a possibilidade da existência da palavra Deva para deusa, e da sua pervivê
ncia nos hidrônimos Deva (dous rios na Galiza, um na Cantábria e outro nas Bascongadas) e os derivados Devon.
 (3) Ártemis foi cultuada como Agrotera, Ἀγροτέρα, a caçadora, no templo de Agrae no suleste de Atenas, conhecido culto como Agrotera thusia, o sacrif
ício à Caçadora, thusia / dusia /qusia é assim traduzido, onde se matavam uns seiscentos cabritos na sua honra . A palavra thusia, θυσία, aparece em diversos nomes da antiguidade grega, Medusa, Amathusa, Phaethusia, Lampedusa ... Aparenta com o trácio dysi, dyzy, disa, diza, que é divindade? Por aqui está Bandusia, no poema de Horácio: Fons Bandusiae, onde hipoteticamente teríamos a fonte da divindade rumorosa, ou a fonte do sacrifício (thusia) a Ban, à chifruda ou ao chifrudo, do sacrifício do corno, que neste caso é o cabrito. O fons Bandusiae splendidior uitro, dulci digne mero non sine floribus, cras donaberis haedo, cui frons turgida cornibus primis et uenerem et proelia destinat. 5 Frustra: nam gelidos inficiet tibi rubro sanguine riuos lasciui suboles gregis. Te flagrantis atrox hora Caniculae nescit tangere, tu frigus amabile 10 fessis uomere tauris praebes et pecori uago. Fies nobilium tu quoque fontium me dicente cauis impositam ilicem saxis, unde loquaces 15 lymphae desiliunt tuae. Assim visto: Agrotera thusia, poderia vir sendo: Agro-tera thusia, Agro: caça, tera: monstro, thusia, deusa ou sacrifício, A divindade monstro caçadora, a ursa a Arthos-mixa, ou o sacrifício à divindade monstro. 
(4) De:wo- - The Celtic word for a 'god'.
This gives us the modern Welsh 'duw', Breton 'doue' etc. It is of course cognate with the Latin which gives English 'divine'
http://vroegemiddeleeuwen.weblog.leidenuniv.nl/2013/05/01/in-voce-gallica/

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