Capas de cebola....




Agradeço a Clarissa Pinkola Estes a transmissão da sua sabedoria.

As lendas podem ser relatos imaginários, doutras vezes crônicas de realidades antigas, anteriores a historicidade, que oralmente fôrom passando de geração em geração, transformando-se.

Neste escrito trato de dar esta visão de transmissão das lendas principais do São Tiago galego.

Há uma ideia força, que foi exposta em escritos anteriores: Caminho e continuidades e Continuitas, resumida em que durante o alargado período cultural megalítico, as gentes eram enterradas em túmulos coletivos do clã, estes túmulos estavam ao pé de caminhos, para que a alma da finada ou do finado, continuasse o seu andar para o Além.
Esta cultura foi ocupando novas áreas na expansão, explosão demográfica neolítica. O novo grupo humano, na nova área, conserva laços com o clã matriz, um caminho, uma ligação, um caminho de mortos.

Os relatos da lenda do apóstolo morto, podem ser re-elaborações de lendas orais, mais antigas do que o cristianismo.
Lendas com certa base na realidade que contam que pessoas importantes da velha Céltia, mortas em terras distantes, foram trazidas em barcos ou em carros para a sua casa natal, e das dificuldades que isto tivo.
A da rota marinha, em barca de pedra, não em barca pétrea, e sim em barca de transporte de minerais, pode ser complementada com a lenda de São Vicente de Lisboa.
Que com totens de corvos, chega de volta numa singradura para ser enterrado na sua terra natal....

Na história da rainha Lupa, para mim, conta-se o traslado da necrópole primária na costa fisterrã, de Duio, cidade que foi assolagada para o interior, para Compostela.
Um traslado da capitalidade mortuória do clã.
Esta inundação tivo lugar num período proto-histórico indeterminado.
Na época post-glaciar, o nível das águas do mar estavam entre 100 e 200 metros mais abaixo,  isto era no 12.000 antes de Cristo.
Entende-se que houvo um incremento paulatino do nível do mar, que foi acelerado no 5.500 a.C. Época que corresponde com as lendas do dilúvio universal.
O nível seguiu subindo até um máximo no 4.000 a.C., no que chegou a ser uns três ou cinco metros superior ao atual.
Esse tempo, o 4.000 a. C., é considerado a época forte, principal da cultura dos dólmens e dos petróglifos.
Petróglifos nos que o carro de bois já está desenhado, petróglifos de barcos que carregam animais.
Poderia acontecer neste cenário do 4.000 a.C. o conto da rainha Lupa de enviar para Duio, cidade assolagada, o cadáver do apóstolo, que finalmente foi dar ao Pico Sacro, ou a Compostela,  com inundações, pontes que se derrubavam..., um relato daquele tempo do dilúvio?

A famosa traslação do Apóstolo?
Foi um reassentamento dumas gentes que os seus territórios foram inundados na costa, que traziam inclusive os seus mortos para o interior, e não achavam território novo...
Mesmo várias tribos que, estando o território completamente ocupado, não tendo onde assentar, colheram o caminho principal de dispersão adiante, e no Zebreiro não continuaram...


http://revistas.ucm.es/index.php/CGIB/article/viewFile/CGIB9191110037A/2616


















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