As Penas da Auga, com "buxeiros" e bruxas darredor



Pola Galiza adiante há Penas da Auga, outeiros, outeirinhos, montes montanhas, cascatas, mâmoas levam este nome ....
Algumas delas são pedras nas que há água, lavradas pola erosão com poças, outras nas que há fontes, ou cadoiros ....
Mas há outras nas que a água, H2O, não está por nenhures.
Este microtopônimo Pena da Auga coincide, mais que a simples aleatoriedade, com petróglifos, às vezes com gravuras de covinhas e regos.
A origem desta auga, poderia ter mais a ver com a raiz aug-, do que com a aqua, água?
Assim:
A etimologia de augusto leva à uma raiz comum com augur, pois ambas venhem derivando do radical aug-, (auge), com palavras antigas do grego como "auxo, augso", ensalço, elevo.
Seria pois Pedra da Auga, pedra da elevação, pedra-altar.
E ainda ao ladinho ἅγιος  

Isto polo lado Mediterrâneo, que polo Atlântico temos:
Aucca no velho irlandês, com as variantes, uccu, ucca, ouccu que significa: escolha, desejo.
Que aucca reúna desejo com escolha, pode indicar uma profundeza de pensamento da sociedade que assim se exprime, pois há possibilidade de escolha no seu desejo, entender que o desejo é uma escolha e não uma imposição, é possível ser percebido isto como uma avantagem, a pessoa cavalga o desejo, e não é atropelada dominada polo ansiado.
É para falar, também, que auga no norueguês e no islandês significa olho.
A sentença: "encher o olho" une isto, o desejo com o olhado. O desejo, uma visão necessária que está vácua e precisa ser colmada.
Aqui a diferença para mim e em mim, podem-me encher o olho, ou podo escolher com o que o encho.

Esta coincidência entre o dialectalismo galaico auga, (água) e auga, olho, dos viquingues, cria algumas perguntas, pois a etimologia da auga norse tem esta cadeia: velho norueguês auga, proto-germânico *augô,  proto-indo-europeau *h₃ek- (“olho; ver”), latim oculus (ocus), sânscrito अक्षि (ákṣi), gótico "áugō", inglês antigo ēaġe, inglês moderno eye, gaélico escocês ee, sueco öga, holandês oog, danês øje, alemão auge, que fecha a roda, ligando a visão com a elevação e com a escolha do desejo ou a desejada escolha.
A Pena da Auga tem covinhas que servem para ver, tem buracos como "guás" (0) ou güeyos asturianos.
A Pena da Auga é por isto a Pena do Olho ou dos Olhos (1). 


Premendo aqui, é interessante escutar como um islandês pronuncia auga, /aiga/, para dizer olho.
Então eu escuito aiga, o "dialectalismo" da águia, e todo isto já se me remexe de mais.


Fazendo derivar aiga do latim aquila; agui(l)a; águia; aiga (por metátese) ... chegamos a onde chegamos ...
Pois também há aigle no francês,  αϊτός / αετός (aïtós / aetós) no grego, aicil no irlandês. A etimologia francesa justifica-se por ter o i mudado de lugar ....


Mas a alta ave dos augures deste planeta aparenta com a "auga" e com o olho?
Alguém diria que sim. Muito mais alô das brincadeiras etimológicas: sim!
A aiga guicha pola fenda e guia, avesulha o mundo.



A aiga conhecida para mim é o buxato, que semellha ter a ver com a buxa, (2) a buxa que é bucha, olho, peça furada, onde entra o eixo e permite que gire, uma caixa de rolamento.


Caio no vórtice e ponho em dúvida a primacia do latim em gerar tanto léxico, e de não ser mais que um parente rico que tem emprestado e modelado os falares célticos e europeus irmãos, por vezes utilizada em excesso para argumentos subliminais submetedores.
E no caso da aiga, ser aiga parelha da aquila, estar à par, e não derivar de aquila. Pois antes de Roma já por aqui se sabia falar e já as aigas e outras aves (3) auguravam.



É assim a aiga um olho?




Chão da Auga da Lage, perto de Víncios, Gondomar.








Olhos, petróglifos da Atalaia de São Cibrão na Marinha.





(0) Cúas, cús, cúais, significa cavidade, caverna, covil, no irlandês, próximo a guá e a cu.


(1) A etimologia espanhola, fundamenta a sua palavra "hoyo", buraco, no latim fovea, talvez se mirar algo mais para o Atlântico veria que a palavra galega olho anda por perto?
Lembrar que oculum latino procede do diminutivo de ocum, onde o pequeno buraco gera o órgão da visão, pois olho e buraco são sinônimos.
Também a etimologia espanhola deriva agujero, buraco, de aguja, agulha, sem ter em conta bujero, apartado, doestado por vulgarismo, que dá a clave da origem, pois bujero tem a mesma raiz que buxa, buje.


(2)  Hipótese alicerçada pola etimologia é a que aparenta o inglês box (caixa e arbusto buxo), com o boj espanhol, com the bush, o mato e arbusto inglês, com o bosque, e muitas mais.
Daí o buxo como planta arbustiva, e de buxo a  buxa,  pois é usada a madeira do buxo, mui resistente, para fazer as peças de rolamento, as buxas. Então, para esta hipótese alicerçada, o primeiro é a planta arbustiva que gera todo este campo lexical que vem dar na buxa, como madeira de buxo com buraco, caixa de madeira de buxo, caixa, bussola ...

O nome inglês para a planta arbustiva bush ou shrub, está próximo a brush, vassoira de escovas original e primária, que aparenta com o francês brosse, com o espanhol broza e com o galego brocha, e que está na raiz de bruxa, por ser a bruxa utilizadora de escovas como brochas, como hissopes e como sistros.
Mas é possível uma volta a todo isto: pois poderia ser buxa a primeira e raiz. (Definirmo-nos desde nós). Palavra dicionariada no 1.858 por Luis Aguirre del Río como "buxa", parte genital da mulher; com buraca, bursa, bolsa, boca, bucca, bucho, bruços (lábios) ao seu lado. Esta buxa  poderia ser a geradora da palavragem de buracos e caixas e mesmo do buxo como mato púbico?...
Mais palavrinhas: como buxeiro, palavra certa e não espanholismo?, à par de buxete, orifício estreito para dar-lhe força a água que dá no rodício; bugio lugar onde se acovilhar, bujeu, recolhe Valladares no 1884 como enterrador, também carniceiro; buxão, desocupado, vazio, sem conteúdo; bujom, no Caraminhal, buraco para esvaziar a auga das embarcações pequenas, ou cunha que tapa o buraco; buxarda, bufarda, janela pequena; buxeta, vaso pequeno; buxana, senrada minhoca de mar furadora; buxar grassar um rolamento.



(3) Na etimologia do italiano, francês e catalão, ucello, ocel,oiseau, no polaco orzeł, (aiga)  nomes das aves, criam a deriva partindo de ave e as suas variações, mas nunca de olho, ocus, oculus, e mesmo em italiano existe a palavra augello para a ave.
Nas falas asturianas, que são uma fonte,  acelluchu, (acellu + uchu) é pássaro.



Aqui falo da possível origem da palavra debuxo como originada pela união de+buxo:
http://oqueseouveporai.blogspot.com/2008/10/dizemos-no-portugus-desenho.html


Outra pena da auga:
http://patrimoniogalego.net/index.php/2012/2011/06/a-pedra-da-auga-de-gondesende/

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