Quima

Quima no asturiano é cima.
Cume e Cima semelham parentes, segundo a etimologia derivativa um vem do latim culmen e outro do latim também cyma; cyma por sua vez derivado do grego κῦμα, κῦμα que é lido kûma. Anda o espanhol cumbre aqui e a palavra asturiana, mirandesa e galega cemba?
Há a palavra e topónimo Cumeal ou Cumial, e nas Astúrias Gumial, que se quadra tem a ver com gume ou com cume.

Gumiel / Gumial no concelho de Aller
https://visitarasturias.blogspot.com.es/2015/07/ruta-del-gumial.html

Mas imos falar de Guimarães.
O topónimo Guimarães é explicado por ser o lugar do possuidor germánico Vimara.
Este topónimo tem variadas formas e com o mesmo radical podemos achar: Guimerás, Guimaráns, Guimarei, Guimareu, Xemerás, Quimerán...

Existe Guímara, na cabeceira do vale de Fornelos / Forniellos, na província de Leão, lugar muito singular.
Há uma pena Guímara na Fonsagrada ....
Guímara é do tipo das proparoxítonas com o subfixo -ara: Lôuçara, Prêsaras....
Estas palavras podem ser consideradas genitivos plurais. Assim Lôuçara poderia ser percebido como o das louças, Prêsaras como o das presas (represas) ...
Guímara levaria a pensar num radical guim-, das *guimas.
Mas guímara além de topónimo é palavra "viva", adjetivo.
Guímara: astuta, malandra, ghicha.
Atenda-se a que esta palavra guímara é pronunciada com gheada: ghímara e tem a variante ghíbara.
Ghíbara que por preconceitos dependentistas é pensada derivada do espanhol. Quando poderia ser bem à inversa. Atenda-se que a etimologia espanhola não sabe de onde vem o seu jíbaro.

Acontece confusão na consoante inicial do radical dos topónimos do grupo de Guimarães: Gimarãs, Quimarán, Gemerás... /h/, /g/, /k/, /ʃ/, /ʒ/

A proposta é que a palavra tida por germânica é de uma raiz anterior, que qualifica ao "montanhês".
Que se Vimara (era dito Vímara?), foi por ser alcunha, algo assim como: o das montanhas, o do cume, ou por qualquer ideia preconceituosa relacionada com as gentes que moram nos lugares altos: rudes, selvagens, bravas..."
As variações desde o antigo Vimaranes, foram devidas à hesitação a grafar da gheada antiga ou da consoante inicial antiga para a que o alfabeto latino não tinha jeito?, que como espiração bem podia ir no intento do vê.
Acontecem com este radical *guima/ quima/ guib / gib- .
Há dificuldades em explicar esquivo desde as raízes germânicas, e semelha fácil desde este radical guib- / guim- / quim- do que aqui é tratado...
Este radical guim-, está na palavra asturiana: esguimar que significa arruinar, esquilmar no galego com a variante esquimar, arrasar, acabar com o que há, com o também esquilmo, vegetais apanhados para a cama do gando.
Uma possível chave é dada pola palavra asturiana quima, que nos seus significados está cima e ponta de uma árvore, com a variante quilma para montão.


Interpretação toponímica de Gemerãs / Xemerás da Freguesia de São Vicenço de Cúrtis (VilaSantar):


Gemerãs é uma aldeinha dispersa linearmente num caminho norte sul ao pé da Pena Grande.
A Pena Grande é um outeiro, que destaca sobre a redonda com uma altura de 562 metros, sendo o Enxameado no norte a referência segunda mais elevada da parróquia de São Vicenço com 595m.
A freguesia cai em aba norte sul desde o alto do Enxameado limitada polo leste polo rio Cavalar que a separa da Ciadelha e Vilarinho e polo oeste polo rio de Folhente Que separa de Fisteus. Neste descenso leve tem este coto: Pena Grande que destaca.
Gemerãs cumpre a ideia da antiga célula agrária territorial, com as suas aproximadas 50 Ha, supostamente dedicadas ao gado, dada a orografia do terreno, ainda que tem uma zona ao norte chamada a Mílhara, (a do milho, referida ao milho-miúdo). Também a norte tem a zona da Fieiteira que pode ser que tenha fieitos, mas também na ideia de limite, como neste escrito é falado. Já polo lado sul está o regueiro de Alveiro, que também está a indicar um limite, como neste outro escrito é falado.

Vista da Pena Grande com Gemerãs, desde a ladeira do Enxameado, perto da aldeia do Seixo.
Vistos os vistos: Gemerãs no "pequeno universo" de São Vicenço, Armental e Fisteus é a "montanha" referencial, (à parte do Enxameado).

Outro Gemerás, em Alvijoi (Mesia):
Também constitui uma unidade agrária das aproximadas 50Ha, é de forma alongada entre o rego de Gestosa e o rego de Fervença. Gemerás está ao pé de um pequeno outeiro, que no seu cume no plano aéreo do 1956 tem um terreno circular, como possível assentamento:


(Para ampliar, clique na imagem)

Vai ir aqui Guimarãs de Santo Estevo de Alhariz:
Vista com googlemaps desde a zona da Ermida do Pinheiro, a Vila de Alhariz aparece à esquerda, e Guimarãs é a população que ficaria no circulinho no alto (Alto de Alhariz),  o passo antigo de Alhariz para a Límia.
A vila de Alhariz está no fundo do val do Arnoia, e o caminho que comunica com a Límia vai ascendendo até o chamado Alto de Alhariz onde muda a vertente. Do outro lado as freguesias de Torneiros e Coedo, que sendo alaricanas, já miram, ou correm as suas águas para o val da Límia formando o rio Pinheira.
Isto é: Guimarãs é o lugar mais "alto" subindo de Alhariz para a Límia.

Guimareu em Toba (Cee) é um lugar entre o monte do Som e monte de Toba, ainda que o lugar não é muito elevado, 90m , em Guimareu muda a vertente que para um lado correm as augas para Cee e para o outro para Estorde. Desde Estorde, que está na beira do mar, até Guimareu, todo é subida, e desde a igreja de Toba também. É o ponto mais alto na antiga via que unia Toba com Estorde.

Vai Guimarães / Guimaráns de Santa Maria de Ordoeste, no concelho de Abanha:
Guimaráns, Ordoeste. Clique na imagem para ver maior.

Interpretação toponímica:
O Alto dos Castros é o alto de um relativo pequeno outeiro, 327m, nele há um castro com muro ante-castro só num lateral. Tem a sua governa de 50Ha, definida polo Moinho da Rula, (Rula como topónimo está parcialmente explicada no escrito "O ruler que anda de Rule")
Também a ressaltar a Rilheira, da raiz relha, (também tratado n'O ruler que anda de rule). Já o topónimo da aldeia do Rial faz referência a outra unidade territorial.
Fica por explica a Piage, aldeia que é o passo natural a este território sem cruzar rio e polo caminho mais tendido com menos encosta. Piagem está muito próxima a peagem: por ser peado o caminho?, ou por portagem?, ou por ser por onde se passa?, a ter em conta o significado de piage, pegada do pé.
Há então um castro no cimo dum monte, castro coa sua toponímia marcadora do território ainda viva, e na aba do monte, unido a ele "umbilicalmente" ainda por um caminho: Guimaráns.


Vímara antes do que ser raiz é derivado?, é o das montanhas?
Vímara / Vimara poderia ter o parelho alemão Weimar.
Weimar dá nome a uma cidade e território na Alemanha, antigamente Wimare, é também nome próprio de pessoa. Derivam-no de umas hipotéticas formas *wīh- (“santo”) + *mari (“mar, lago, pântano, páramo, uzeira”).

Assim temos giba, geba, (corcunda), cima e quima para dar nome à montanha. Esta montanha no gaélico é dita sliabh.

Guimarães, decodificaria-se como "as gentes do Guímara".
Guímara, decodificaria-se como "a das montanhas, a dos cumes".

Uma raiz para cima, quima, quilma, giba e sliabh...
Confronte-se cume culmem, com quima quilma.

Leva a pensar mum radical *kilmb-. Confronte-se com o inglês to climb.

Como no caso de Alaricus, ou Romariz, os tais topónimos deste grupo Gemerãs, Guimarães ... supostamente germânicos semelham ser pouco...

Chimarrão e cimarrón.

Rainha


Rainha de Cabrui (Mesia):
Aqui a Rainha de Cabrui é uma raia, um limite entre duas unidades agrárias da continuidade neolítica.
Quando o lugar tem o nome de raia, rainha leva a pensar que é marcado um longo treito, trecho, por um rego com poucos acidentes topográficos que ajudem a fixar um claro limite, num terreno pouco acidentado.

A explicação toponímica do entorno da aldeia de Rainha de Cabrui.
Rainha está fazendo linde entre duas unidades agrárias com os topônimos significativos de Tieira Grande e As Foucelhas, ambas as unidades cumprem a superfície aproximada das 50Ha.

Tieira é o nome duma parte do arado, que segura a relha com o temão.

Tieira número 4. Tirada de aqui, http://www1.museo.depo.es/popup/arado_e.html, ainda que semelha ser dum livro do Xaquín Lorenzo.

Tieira tem o étimo latino telum, uma lança.
Tem também telum e tieira uma origem neolítica com ideia de limite ou limitadora, borde, que foi tratado no tema da tileira, onde a raiz fils-, tils- foi analisada, também onde o arremesso de uma lança determinava até onde chegava o domínio.
Parelha à Tieira Grande está a Tieira Pequena, estas duas células agrárias neolíticas estão a dizer que estavam no limite, pois geograficamente limitam entre os concelhos atuais de Mesia e Cessuras e algo de Cúrtis. É aqui perto que nasce o rio Mero que vai dar à ria do Burgo, e o rio Mendo que vai para Betanços, claramente zona ártabra, e nasce aqui também o rio Samo afluente do Tambre que se junta a ele no concelho do Pino sendo pois zona supertamárica.
Fora do mapa que acompanha este texto, a norte dele, a dous quilómetros em direçao norte existe outra Tieira, a Tieira da Baiuca, também pertencente a freguesia de Cabrui, na ladeira norte do Coto de Picoi.
Esta marcação de limite destas unidades agrárias também é vista nos nomes das Casas do Marco e mesmo da Fraga do Rei.
Se a raia é marcada pola rainha, o rego é marcado polo rei, na tradição de: a ária, o ário arar perimetralmente o aro e área de terreno que governa. Assim topônimos com o nome de Rei costumam estar em lugares de linde também.
Outro dos possíveis nomes limitantes é o dos Azivreiros, que pode ser devido a que tenham medrado ali azivros, mas como é explicado nos escritos destes dous enlaços: 1, e 2 , muitos dos lugares toponímicos que nos fazem pensar em acivros, azevinhos, ou em zebros (cavalos selvagens), Zebreiro, Cibreiro, o Azivo....,  coincidem com marcos, polo comum montanhosos que xebram, acibam, cibam, chivam, separam, estremam territórios.

A salientar, sem ter a ver com o fio de limitações aqui tratado de desenvolver, o nome das Foucelhas.
Eido do guerrilheiro anti-franquista Benigno Andrade Garcia.
Num princípio faz pensar numa fouce pequenas, na ferramenta agrícola. Mas se olharmos com maior pormenor topográfico o lugar do assentamento da aldeia:


É possível observar que tem uma faux a um lado e outra a outro.
Faux
no latim é um vale profundo, um caborco, um barranco.

Mais rainhas toponímicas:
A Rainha em Riba d'Isso de Rendal (Arçua), são umas terras de lavoura, prados que lindam com o antigo caminho real, hoje caminho de Santiago, no mesmo lugar turisticamente famoso polo seu albergue de peregrinos. No mapa pode ser observado esse lugar de limite entre duas células menores que seriam a do próprio Riba d'Isso e a de Guldriz / Guldris:



A Corredoira da Rainha da freguesia de Moldes (Melide), com o Prado da Rainha e um terreo de nome a Rainha no mesmo lugar, corredoira que corre entre três castros pola sua periferia:



Outra Rainha, o Cerrado da Rainha, entre a freguesia da Rigueira e a do Monte no concelho de Jove:



A Fonte da Rainha na aba do vale do Mandeu, entre as freguesias de Babio (Betanços) e Armeá (Coirós), a salientar que aba arriba da Fonte da Rainha está o Rei:




A Rainha em Mabegondo:




A Rainha de Sísamo (Carvalho)
No antigo caminho entre o Castro de Sísamo e Carvalho, passando polas mámoas dos Vilares:





Campo-rainha entre Lier (Sárria) e Frolhais (Samos):





Alguns topónimos estão espanholizados como pode ser Porta-reina, Porta-rainha entre a freguesias de Vilarinho (Cambados) e a de Riba d'Úmia: