O dia de Santa Luzia...

O dia de Santa Luzia mingua a noite e crece o dia.
O ditado popular fala de que o dia da santa, atual 13 de Dezembro, é o dia posterior ao solstício?
Como é isto assim?
O calendário gregoriano atual foi implantado no 1542, onde a quinta-feira, 4 de outubro, foi seguida pola sexta-feira, 15 de outubro.
O 13 de Dezembro atual de Santa Luzia poderia corresponder com o 13 + 11 = 24 de Natal.
O movimento oscilatório do eixo da terra não é lineal, assim ainda passado o solstício os dias aparentemente não medram.

Foi então o dia de Santa Luzia um dia imediatamente posterior ao solstício de Inverno? Semelha que sim.

Analema


Quem foi Luzia ou Lúcia?
Uma santa mártir que a história-lenda situa na Sicília, como tantas outras histórias-lendas de santas mártires, uma virgem que não aceita ser casada.
Filha de Eutíquia, ou Τύχη "Tique", a Sorte.
Tique como divindade foi associada com Deméter entre outras deusas, também com Ἀστραῖα "Astreia".

Então estariamos diante de um traslado do par Demeter-Perséfone para Eutíquia-Luzia?
Ambas as estórias acontecem ao pé do Etna.
E em ambas o nó do assunto é um casamento.

Etna, Etniu é nome da nai de Lugh nas lendas irlandesas.
A matéria que gera luz, a Luzia.
Etna nai da luz rojada, farol mediterrânico.
Porque saibam que a matéria pare luz...
E escolhe a noite mais longa do ano.
Há que saber do roce, da roça e da pinga de suor, e da roçada?
De como é que se roja?, ou do que é rojar?
Do que implica, move nas diferentes camadas da realidade o ato de enfornar?
Cultura em declínio...
Divindades e candeias...
Luz feminina, (pois ainda que o yang é a tal vibração, infinitamente como o tao explica, há uma impossibilidade de que yang e yin sejam sós, aquela disputa filosófica e física da onda-partícula)....

http://www.meteoweb.eu/2015/05/etna-in-eruzione-lo-spettacolo-visto-da-reggio-calabria-foto-scenario-incantevole/444362/




Iago

Iago é nome comum na Galiza para Tiago, também no Gales o nome de Iago é frequente já em tempos medievais.

O 25 de Julho é o seu dia. Por que?
O 25 de Julho no antigo calendário é suposto corresponder ao dia no que antes de amanhecer a estrela Sírio aparece no horizonte Leste e atrás dela: o Sol, isto no Egipto.

O nascimento de Sírio justinho antes do abrente no horizonte leste, o orto helíaco de Sírio, depende da latitude, e depende da época histórica.
Na atualidade na Galiza isto acontece polo 8 de Agosto. Há 4.000 anos no antigo Egipto acontecia na primeira quinzena de Julho....
Se atendemos a que no ano 1582 o calendário gregoriano foi imposto, provocando um corrimento de onze dias, o 25 de Julho atual corresponderia com o 14 de Julho antigo.
Dizem coincidir no calendário do Antigo Egipto este 14 de Julho antigo, atual 25 De Julho, com o dia de Osíris.
O calendário egípcio tinha 360 dias e cinco dias mais chamados epagómenos que corriam todos juntos no atual Julho, o primeiro dia epagómeno correspondia ao nascimento de Osíris.
Sírius desaparecia do céu noturno durante 70 dias, no tempo antigo do Egipto, sendo esse 14 de Julho antigo, 25 de Julho atual o seu novo aparecer, que coincidia com a enchente frutificadora do Nilo.
Seguindo este cômputo, a estrela Sírio desapareceria do céu o 15 de Maio, dia assinalado no santoral católico por ser o São Sidre, já noutro escrito associado com Osíris.
Vemos então a relação entre o santoral e a estrela Sírio, o dia do seu desaparecer é dia assinalado por um santo da semeadura.
Osíris tem muito a ver com a semente e com as árvores.
A celebração do São Cidre (Sidro / Isidro / Isidoro "presente da Deusa Ísis"), tem a ver com a morte do grão, atualmente associado com o milho, antigamente com o milho miúdo, ou painço, na cultura agrária galega, assim também no antigo Egipto.
"Polo São Isidro sementa o teu milho."
Setenta dias depois acontece a aparição da semente verde na nova planta "polo São Tiago a vinha pinta o bago". Tempo também do início da canícula,
Tem isto relação com o mito do assassinato, morte e renascimento de Osíris, reconstruído por Ísis.
O cereal nascendo do corpo do deus morto
Mito da morte do grão estendido por toda a Europa agrícola pré-industrial, às vezes associado com a figura feminina da deusa, a Velha.
São Cidre é par da Santa Maria da Cabeça, Osíris de Ísis.
E Iago?
Será da Santa Marinha?, padroeira que dá nome também ao mês e que tem a sua data afixada no 18 de Julho.
"Se queres colher bom nabo, bota-o por São Tiago. E a velha que tal dizia, botou-nos por Santa Marinha",
"Santa Marinha rega coa sua cabacinha e São Tiago co seu canado."

O 26 de Julho é o dia dos genitores antigos ou primordiais, da avoa deusa e do avó deus, dos deuses mais velhos, o São Joaquim e a Santa Ana.
Ana é a nai do Anu, Ana está na Anamanana, na Anu-mãe, ou Anumã / Anamã., A nai da nai,
Joaquim é outro Iako, outro, Jac-im.

Jack inglês dá nome ao Iago e ao Jacob.
Antes de ser Jack no inglês antigo foi Jankin.
Joaquim é críptico junto com Jaco/Iago?



Jacob, Jacobe, Jacobo, Jácome tem um sonho (Antigo Testamento), no que uma escada une o céu com a terra, por ela sobem e descem anjos.
A decodificação de Iacobus é que pode ser um ablativo plural de Iaco, "com os iacos / no lugar dos iacos..."
E se for o dos lacos?
Laco, laço tem a ver com a raiz protoindo-europeia lakw, confronte-se com o basco lagun "irmão", com o latim laqueus.

No mundo grego o Iago é o Ἴακχος (Iacchus):
Iacchus é tipo por epíteto ou outro nome de Dionísio.
Dionísio que também é tido como adaptação grega de Osíris.
Dionísio entre outras etimologias é entendido como o Deus-Nyso, criado nos montes Nysus, monte mitológico que é associado com Etiópia, a Índia, Médio Oriente, onde as ninfas cuidárom dele na infância.
Se decodificamos o nome Dionísio desde o galego: o Deus do nisso, o Deus do níxaro, o deus do nicho.
A palavra nisso faz referência ao abrunho e a todo tipo de ameixas, com a variante níxaro, que além do fruto dá nome ao ninho.
Nicho está aqui também, com palavras como nicha, buraco do jogo da porca, ou vegetal mole para estro e cama do gado.
(Vide: níjara, nissa, nicha, nichal).
Duas linhas no Dio-niso desde o galego, o deus-da-fruita, (ameixa), ou o deus-do- buraco, leito, acovilho.
Desde o galego Dio-niso mantém o fio do deus agrícola que dizem trazer em continuidade com Osíris.
Deus que é enterrado num buraco, não de qualquer modo, um buraco-leito para dar froito mais tarde, neste caso a nissa, nisso, níjara, níjaro, a ameixa uma fruita muito feminina e masculina à vez.
A ideia de descanso, leito, parto, esforço, apoio, ascensão, está no verbo larino nitor (gnitor) com o seu particípio nisus / nixus.

Ártemis leva o qualificativo de Ἱακυνθοτρόφος (iakintho-trophus) que poderia ser interpretada como "a comedora de jacintos".

Jacintos na carvalheira de Santa Susana

O Ἱακυνθο, iakintho, de que partes está formado?
Poderíamos dar dous morfemas Ἱακ-υνθο, Iak-, -into, -ento / -enço.
Como foi tratado neste escrito -iaco- tem uma relação com a conjunção atual "e", ou no significado de a "em união com, ser de", na ideia transmitida acima de iaco/laço. (mais estendida abaixo no: 1).
Sobre -ento: é um sufixo que indica "ter a qualidade de, ser dotado de".
Quanto a -ença/ -enço exprime "ser o resultado de uma ação".
Segundo isto poderia ser percebido que o jacinto de Ártemis dá a ideia de estar dotado da qualidade de unir, e que o seu resultado é a aproximação, a união, a vizinhança a.
Esta Ártemis comedora de jacintos e o Dionísio camado de "Iago"  aparece assim nomeada nos ritos eleusinos, onde talvez a comunião / comunhão era conseguida utilizando plantas mestras, entre elas o grão com o dentão ou cornicho.

Hiacinthus Ὑάκινθος que dá nome além da planta à cor azul.
Sendo o jacinto a cor hiacinta, está a falar de ser outro nome do ultra-azul, do ciano, no espectro uma emissão que está fora do visível normal para o gênero humano, mas sim percebida polo porco e polo cão...
É esta ultra-luz, a onda de alta energia, não visível por nós em estados normais de consciência, a que impacta na mater, e provoca, na união, que se engendre o mundo e a luz desta realidade.

(1) A partícula -ιακός no grego antigo transmite a ideia de "que pertence ao original ou vem dele, que tem algumas características do original ou se relaciona com ele".
Esta partícula tem relação com o proto-céltico *-onkus "próximo, perto", com as formas no antigo gaélico acus e ocus /ˈo.ɡus/ que dão o significado adverbial de "próximo", a conjunção copulativa "e", e o substantivo "proximidade".
Na linha céltica, o gaulês dá uma ideia mais sobre esta conjunção com o sufixo -cue, que significa a conjunção copulativa "e", que também aparece no latim com a partícula -que, partículas que são afixadas à palavra que se anexa: Fames sitisque "fame e sede / sede ligada a fame".

Existiria a conjunção sufixada no proto-galaico, com esse valor diverso de conjunção e partícula que indica a proximidade, ou que uma está ligada à outra?
Na ara de votiva de Viseu aparecida na rua Misericórdia, escrita em galaico(?) podemos ler a suposta conjunção igo.
Deibabor
igo
Deibobor
Vissaieigo
bor
Albinus
Chaereae
f(ilius)
v(otum) s(oluit) l(ibens) m(erito)

"Para a Deusa "e" para o Deus "de" Vissaio....
Onde Vissaieigo tem a mesma ideia que a conjunção latina sufixada -que, ou a do céltico gaulesa -cue que exprime proximidade ou conjunção: Vissaie-igo: "Para a Deusa e para o Deus ligados a Vissaio".
Este sufixo tem muita vitalidade em genitivos do tipo navego, arantego, rinlego..., ou mesmo galego? gala-igo / gala-ego, gala-ago; levado ao latim como galaicus?
Confronte-se com "nabiago" a inscrição da Fonte do Ídolo de Braga:
[CAEL] ICVS / FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDUS / FECIT.
TONGOE / NABIAGO
CELICVS / FECIT / FRONT

Na parte oriental da Galiza, nas falas das Astúrias e de Leão, existe a conjunção copulativa ia / ya "a nina ia o nino" / a menina e o menino, que é explicada por uma variação do et latino daí a uma duplicação *iet → ia.
E podeira ser -iago / -iego → ia?

Então o Iago descobre-se-nos como Ioga, योगः?
Como jugo de união, sabedoria que está grafada nos jugos galaicos, onde a hexapétala simboliza tal aproximação, união engendradora?

Para juncir, junguir, ajugar, enjugar, joncer, jugar, jungir, junguir.